Natal, Amigo Oculto ou Férias: entrego livros pra você!

 

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Um dia de treino, o peixe podre no aeroporto e um lugar chamado Brasil

 

Você vai pra academia. Vai pro treino, como se diz. Treinar, alcançar coisas novas, novos limites. Mas antes você faz um aquecimentozinho. Aliás, como o cardiologista lembrou, precisa treinar aeróbico também. Então você vai pra esteira, vai ficar uns minutos a mais. Você fica. Esqueceu o fone de ouvido ao sair correndo de casa, mas são só vinte minutinhos hoje. Porque o que você quer, é pegar peso.

As TVs estão ligadas sem som. Você não consegue não ler a legenda do canal de notícias ininterruptas que tem um slogan igual ao da emissora líder, mas como igual não pode ser, então o slogan é um pouco menos igual e você conclui que o slogan é realmente sofrível. “Quem terá escrito essa bosta, com aquela vírgula?”, você pensa quase em voz alta. E você se lembra, e pensa a respeito do slogan da emissora líder, e conclui que ele “é bom, mas não chega a ser perfeito”, enquanto aumenta a velocidade da esteira.

Ao seu lado, uma morena de boné – não, de viseira – e corpo curvilíneo está correndo forte há mais de dez minutos. Você olha discretamente para o lado, como quem quer alcançar com o olho a tela do outro aparelho de TV exibindo uma programação clássica de atletas ao ar livre enfrentando as mais altas ondas do planeta, mas o ângulo não lhe é favorável. Restam-lhe as notícias, enquanto você se esforça para cumprir o trato com o cardiologista. De relance, você capta um dado no monitor da esteira da morena. Ela corre na velocidade 9.5. Um dia você chega lá, ainda que esse dia não pareça, remotamente, próximo.

Aí você lê uma notícia que você pensa que não está lendo. A esteira atingiu – pra você – velocidade de cruzeiro para uma caminhada: 6.5. “Ibama descarta 10 toneladas de peixe podre mantido por 5 anos no Aeroporto de Guarulhos”. Você olha pro outro lado, não queria ter lido aquilo. Desse lado a parede é espelhada e você vê tudo ao mesmo tempo: a morena que corre, os monitores de TV, a notícia cuja legenda permanece lá, o repórter explicando algo que você não ouve mas entende. Como pode uma carga de peixe podre ficar 5 anos armazenada? Esse é o pensamento que você não quer que invada a sua cabeça, você não quer pensar nisso, nessa loucura que é ser brasileiro, não quer imaginar as explicações das autoridades que estão ali – você pensa – apenas defendendo o polpudo salário que certamente arrematam.

Então você finge que não é contigo. Não é tão difícil, isso. Foca na esteira. A morena corre, você também já vai decolar, vai dar um tiro de 5 minutos, sem paciência para peixe podre, sem paciência para armazenamento de carga perecível por 5 anos, sem paciência para o rótulo de “Brasil é assim mesmo”, você está prestes a aumentar a velocidade da esteira quando a morena ao seu lado faz um comentário banal, mas é sobre o peixe. “Como é que pode isso?”. Já se passaram quase 5 minutos que começou a reportagem, ela provavelmente estava pensando no assunto por duas centenas de segundos. Você concorda e diz: “Pois é, eu tava pensando nisso”, porque é o que se diz nessas horas, mas a verdade é que você estava quase se livrando do peixe podre e de tudo o que essa notícia representa, quase encontrando um jeito de esquecer que ouviu essa lambança embalando o treino.

Você dá o tiro e começa a correr como uma lebre, não sabia que seu corpo estava hoje assim tão leve, nada indicava que fosse ser tão fácil e correr faz retornar aquele prazer de alcançar e de viver. Agora é a morena que desacelera e vai reduzindo até parar e desce da esteira e faz um aceno de corpo educado, uma meia fala, um simples tchau, foi gentil. Então a corrida te embala e você esquece, e seus olhos livres focam de novo nas letras, focam na legenda da TV que mostra, pela ordem: o tamanho do desemprego em dezembro, o aumento do Índice de Confiança do Consumidor – e você pensa como pode o país ter 12 milhões de desempregados e se sair com um aumento nesse índice, e começa a pensar no que diabos deve ser um índice com um nome desses que o engravatado da vez explica como se fosse astro de cinema mudo.

É hora de desacelerar a esteira, você pensa. Você olha o relógio, tem mais 5 minutos ali, porque nos outros quarenta seu negócio é puxar ferro. A TV volta a captar seu olho, mas agora é um desenho azul: uma pirâmide mostra que 889 mil pessoas no país ganham mais de 27 mil reais por mês, enquanto mais de quarenta milhões ganham menos de 800 reais, o que é uma aberração, mas uma aberração cotidiana e, como que para provar, a reportagem mostra imediatamente a imagem de um trabalhador de rua, de pele morena, escura, pouco cabelo, pouco banho, uma camiseta rota que um dia foi branca e que pode muito bem ter sido descarte de uma daquelas 889 mil pessoas que ganham mais de 27 mil reais por mês, a maioria delas em São Paulo. Não, a reportagem não disse nada sobre São Paulo, isso foi você que pensou,  enquanto baixava a velocidade da esteira para 5.0, 4.0, 3.0, 2.0, 1.0.

– Marcão! – você grita para o amigo que vê chegando. – Bora ali malhar braço! – você diz isso e, aí, sim, não está mais pensando no Brasil e seus erros. Sem pensar, agora você experimenta, finalmente, uma calorosa sensação: enfim, o pensamento sumiu.

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Minha primeira entrevista. Pessoal gostou. E você, o que me diz?

Dei uma entrevista ao jornalista David Massena, logo depois do lançamento de “Se Essa Rua Fosse Minha”, o livro que reúne as crônicas deste blog e que, para felicidade geral da nação, está sendo muito bem recebido pelos leitores. :o)

Posto aqui os links para a entrevista completa e para os três blocos separadamente. Você escolhe a forma de ver!

Curte a minha página profissional no Facebook, que tal? Clica e curte. Clica e curte. Clica e… compartilha com seus amigos.

https://www.facebook.com/marciasavino.writer/

 

 

Entrevista Completa – sem intervalos (20min): https://www.facebook.com/marciasavino.writer/videos/2036584536578141/?pnref=lhc

 

Bloco 1: https://www.facebook.com/marciasavino.writer/videos/2036584536578141/?pnref=lhc

Bloco 2: https://www.facebook.com/savinomarcia/videos/1633931876637053/

Bloco 3:https://www.facebook.com/savinomarcia/videos/1638837359479838/

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Esta semana tem bate-papo e autógrafos. Em Friburgo.

 

 

 

 

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Sexta, 10/11/2017, Sushiban, Cônego, Friburgo

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“Se Essa Rua Fosse Minha”: coletânea de crônicas da autora deste blog será lançada na FLINF – Festa Literária de Nova Friburgo


 

Lançamento Coletânea de Crônicas “SE ESSA RUA FOSSE MINHA”: Sábado, 28 de outubro, 14h, Livraria Arabesco – (Av, Alberto Braune, 87 – Nova Friburgo)

Novidade: “OLHOS FRESCOS”, livro de contos e poemas da autora, lançado em digital, já está disponível em versão impressa

RELEASE

A jornalista e escritora friburguense Marcia Savino volta a participar da FLINF, a Feira Literária de Nova Friburgo. A segunda edição do evento acontece no final deste mês, e no dia 28 de outubro, às 14h, na Livraria Arabesco, está marcado o lançamento do seu segundo livro: “Se Essa Rua Fosse Minha”.

NOVA FRIBURGO – O livro em questão é uma coletânea de crônicas – gênero que Savino vem explorando ao longo dos últimos vinte anos – junto com a carreira de jornalista e profissional de Comunicação. O amor pela cidade está sempre presente. A cronista, que prima pela leveza, assume também sua verve de cidadã, indo da calçada de casa às questões do país. Outros temas fazem parte do cardápio que o leitor vai encontrar: a vida cotidiana, reflexões sobre o tempo e a vida, além de textos sobre os encantos e os desafios da arte de escrever.

EDITORA INDEPENDENTE – “Decidi fazer o livro por conta própria, depois que confirmei que editoras não se interessam pela publicação de crônicas. Acho que o olhar sobre Friburgo, presente em mais da metade do livro, foi o que de fato me impulsionou, porque me fez acreditar que publicar a coletânea talvez fosse relevante para mais alguém além de mim. Fizemos uma produção caprichada, por sorte pude contar com o apoio de amigos e leitores”, revela Marcia.

Co-fundadora do jornal Século XXI, que circula na cidade até hoje, ali começou a publicar seus textos críticos (em 1997), na coluna Chá com Torradas. De 2010 para cá, passou a publicar na internet, no blog marciasavinocronicas.wordpress.com, atraindo leitores diversos. De pegada intimista, as crônicas do período recente exibem o amadurecimento da escritora, que discute também as infinitas possibilidades da internet para um cronista. O foco no país, no mundo e em Nova Friburgo se mantém em ambos os períodos de produção.

“Consegui o apoio de um incentivador, sem o qual não seria possível dar o primeiro passo nessa aventura. Mesmo assim, a tiragem é pequena e isso faz com que o custo unitário quase inviabilize a edição. A edição independente é um teste, que depende de adesão. Mas estou otimista, a recepção inicial no Facebook foi excelente!”, afirma.

A AUTORA – Marcia Savino é gestora de Comunicação do Colégio Anchieta, unidade da Rede Jesuíta de Educação (RJE), em Nova Friburgo. No ano passado, lançou seu primeiro livro, o e-book “Olhos Frescos”, reunindo contos e poemas. Atendendo ao pedido de leitores, “Olhos Frescos” agora está também disponível na versão impressa. Os dois livros estarão nas livrarias de Friburgo e região e em todo local ou evento turístico que se interesse em divulgá-lo.

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Como fui parar num curso da Flávia Gamonar e me reconciliei com o LinkedIn

 

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Flávia Gamonar é um nome forte, vamos combinar. E, de uns meses pra cá, esse nome passou a frequentar a minha caixa de e-mails. Claro, eu havia assinado mais uma newsletter, ou melhor, eu havia fornecido de novo o meu melhor email para mais um bambambam a dar dicas confiáveis sobre marketing digital  na internet. Neste caso, diga-se, uma bambambam.

Henrique Carvalho, Fábio Ricotta, Resultados Digitais, Soap, Joni Galvão com o storytelling… todos esses seduzindo-me com seus conteúdos perfeitamente formatados para o meu cérebro ávido. Um amigo que me conhece muito bem, me diz regularmente: Você é uma novidadeira! Sim, adoro novidades. No campo do pensamento, principalmente. Não uso IPhone 7, nem sou trend setter na maneira de vestir.

Então, a jornalista evoluída que foi assessora de imprensa, que se tornou diagramadora também, que aprendeu fotografia, que edita como ninguém, que virou designer de superapresentações, que faz roteiros, que se lamenta por não ter aprendido HTML e que mantém um blog de crônicas no WordPress passou a fazer como fazem os genuinamente curiosos: estudar tutoriais e dicas, e garimpar avatares confiáveis sobre produção de conteúdo e marketing digital na internet. Resumindo: estuprei, eu mesma, a minha caixa de e-mails!

Eu havia fornecido de novo o meu melhor email para mais um bambambam a dar dicas confiáveis sobre marketing digital na internet. Resumindo: estuprei, eu mesma, a minha caixa de e-mails!

Não consigo precisar há quanto tempo venho fazendo isso. No mínimo há cinco anos, mas a resposta mais provável talvez seja “desde sempre”. Sim, porque desde o surgimento do link, há priscas eras, venho caindo diariamente de um para o outro, ao sabor de perguntas mentais que sequer formulo. Um pouco como Alice escorregando pela toca do coelho coberta de livros e objetos, acho que só agora cheguei ao chão.

Eis que me aparece Flávia Gamonar. E ela me irrita. Não me lembrava de onde, em que situação, nem em qual site eu tinha fornecido meu email. Li o primeiro artigo dela e gostei muito, mas eu não precisava de mais um nome na minha caixa de entrada a ficar chamando minha atenção. Só que ela estava lá, artigos seguidos junto aos outros. E eu já vinha lendo tanto ebook da RD, que um dia recebi um telefonema, como seu eu pudesse vir a se cliente. Achei graça de aprender assim, marketing de conteúdo por lógica reversa, tive um insight. Enfim, eu já estava cheia de conteúdo. Na real: não aguento mais tanta Flávia Gamonar.

Até que a vida deu aquele tranco que costuma dar de tempos em tempos. Mudança de ato, fim de capítulo, quero aprender marketing digital de fato e decido me matricular num curso. Fuço daqui, procuro de lá, data-hora-local-duração–preço, São Paulo? Mais alguns sites visitados, mais alguns emails doados, mais sugestões na caixa de entrada e quem é que vem dar um curso no Rio? A RD. Ah, mas é quinta. E sábado? Sábado tem o da Flávia Gamonar. É pra lá que eu vou.

Foi assim que tive a boa surpresa de conhecer e ouvir a própria Flávia falar um pouco de si no centro do Rio, numa sala de aula comum, repleta de seres ávidos como eu. Quase todo mundo na sala tem um emprego (ou quer ter), tem um negócio (ou quer ter), enfim, tem uma persona corporativa (de qualquer grandeza) e humana (opa, isto é importante).

Até que a vida deu aquele tranco que costuma dar de tempos em tempos. Mudança de ato, fim de capítulo, quero aprender marketing digital de fato e decido me matricular num curso. Fuço daqui, procuro de lá, data-hora-local-duração–preço, São Paulo?

Em que pesem todas as coisas bacanas que ela e seu parceiro, o Douglas Gomides, falaram no curso, o que a Flávia Gamonar disse sobre o LinkedIn significou muito pra mim. Confesso: até esse momento, eu tinha preguiça do LinkedIn. Não gostava do layout e achava difícil de usar. Tenho conexões e perfil completo, mas estou empregada e feliz. Além do mais, sou uma artista presa numa profissional de Comunicação, como explicar isso no meu perfil? Favorece? Alguém contrata escritor pelo LinkedIn? Como se vê e se comprova, a ignorância não costuma ser boa conselheira.

Minha relação com o LinkedIn é antiga e um email às vezes me avisa: seu perfil foi visto, tais empresas têm vaga no seu perfil. Desculpe, LinkedIn, tenho mais de 50, isso não é pra mim. E quando o email é de alguém que pede pra eu o adicionar à minha rede? A caixa lotada de assuntos e o tempo corrido me fazem pensar rapidamente: Ah, fulano, acho que não te conheço. Pulo então para o próximo email, lembrando de todas as vezes que desconhecidos me aceitaram magnanimamente como amigos. Na próxima rodada saio adicionando todo mundo, numa espécie de compensação.

Eu já tinha lido artigos no LinkedIn, claro. Ótimos artigos. Tinha sido chamada a opinar sobre o novo design, o que não sei se fiz. Tinha percebido a novidade do feed de notícias, sem entender muito bem. Mas a Flávia Gamonar me fez enxergar. Aqui o ambiente é de leitores qualificados, você pode escrever textos raciocinando com clareza sem precisar ser raso. Aqui, também, nem todo mundo é CEO. E, por trás ou por dentro do CEO, CFO, CMO e do diretor de RH, existe alguém como eu, como você ou como ela, a Flavia.

Mantenho um blog de crônicas há muitos anos que está num lugar chamado – descobri agora – limbo da internet! É ali que ficam os textos que têm entre 500 e 800 caracteres. Mas aprendi que aqui cabem textos longos e que a história pessoal tem seu lugar. Escrevo normalmente crônicas literárias, sou amiga das rimas e resolvo testar aqui a minha escrita. Dada ao delírio com as palavras, sempre estive mais para enganar o Google, do que fazê-lo me achar. Torço então para que você, leitor, me ajude nisso. Compartilha aí, vai!

A chave dourada que a Flávia me mostrou é que você pode ser humano no LinkedIn. Aliás, você deve ser você mesmo. E que, diferentemente de algumas outras redes sociais, não é bacana mentir. Obrigada, Flávia! Espero, sim, te ver de novo. Agora, aqui no LinkedIn.

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