Anacrônica de quarta-feira passada

Estão errados todos os cronistas que dizem que não têm assunto e também aqueles que dizem que jamais reconheceriam publicamente sua timidez ocasional diante do papel. Não é assunto de menos o problema, já disse alguém. É claro que são assuntos demais. Quanto ao fato de serem assuntos repetidos, ressalvo que repetir-se é algo inerente ao homem, tanto quanto seu interesse por novidades. Dê ao seu público novidades (requentadas ou travestidas, vá lá) e ele lhe dará sua atenção. Então, sobre a folha branca e o desafio do papel, estamos conversados.

Escrevo desde que me entendo por gente e escrevo crônicas desde que encontrei um lugar para publicá-las. Já se vão lá dez anos. É muito difícil encontrar um lugar para publicar crônicas – quase tão difícil quanto encontrar uma mulher fazendo stand up comedy hoje. Por um motivo ou por outro, parece que todos os lugares já estão ocupados. Foi aí que, por um motivo ou por outro, decidi-me a escrever um blog.

Blog é coisa do passado, já li; o negócio agora é twitter (também estou ali). As pessoas matam as novidades tão rapidamente e depois se lamentam que elas já se foram. Novidade é uma coisa autofágica: fica velha no instante em que nasce. É como o ser humano: depois que brota, só faz morrer. Bem, tardiamente, depois que todo mundo que tinha que ter blog já teve, eu resolvo ativar o meu – que, creio, sofreu de paralisia cerebral ao nascer.

Já recuperada, agora, decidi-me: o blog irá florescer. Então, devagar me proponho a tecer crônicas, cumprindo comigo também a função do editor. Este, todos sabem, é aquele capataz que faz, brilhantemente, o texto fazer sentido na mente do escritor a tempo de respeitar o/a “dead line” e a sua própria reputação. E aqui também estamos conversados, leitor: combinei comigo o ritmo insano reservado aos bons cronistas e, semanalmente, cumprirei neste terreno o ritual de postar uma crônica amiga.

Assuntos farfalham por aí. No meu cérebro, pelo que consigo acompanhar e também porque não tenho acesso ao cérebro dos outros, digo sem medo de parecer pedante que chego a me cansar de ter ideias. Não sou uma Fábrica de Ideias, como certos amigos meus. Sou uma usina, uma manufatura, uma artesã de ideias em profusão. Têm dias que elas vêm em cachos, em pencas mesmo. E antes que me comova, vaidosa, deixe explicar que o mesmo talento para pensar não tenho para fazer: ficam as idéias por meu cérebro vagando, simplesmente, sucedendo umas as outras. Quase me embaralham.

Triste, diria um realizador. Acho também. Meu marido diz – com razão, devo admitir – que adoro uma novidade. A novidade da hora é encher este espaço de crônicas, já disse. Semanalmente, já me comprometi. Ter muitos leitores! – e aqui divido com você esta responsabilidade, leitor de agora. Sou como você, uma novidadeira. Então, ao ouvir o meu chamado, reserve uma pausa para o que prometo ser seu deleite. Só não espere demais de mim, estou em processo de aquecimento. Ainda engatinho.

* Prezado leitor e leitora, obrigada pelas visitas e comentários que recebi depois da minha primeira divulgação da “retomada do blog”. Esta crônica acima foi escrita no prazo que me foi dado pelo “editor”. Ele, sim, responsável final pelo meu resultado, resolveu ponderar mais um pouco e a guardou na gaveta. Relendo-a, resolveu publicá-la agora. Até a próxima!

NF 2/04/2010

Anúncios

Sobre Marcia Savino

Oi, seja bem vindo/a e passeie por esta literatura de rápida leitura! Indique para os amigos e... volte sempre!
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s