As quatro estações

Há pouco tempo bateu o outono, que traz para a vida um tom invernal e boa dose de sutileza. É mais ou menos assim: o azul turquesa do céu profundo avisa que, do aparente calor, nasce o frio. Há pouco tempo, o tempo virou muito rápido – e isso não é novidade para ninguém. Pode ser que ele desvire também: o tempo – já se disse – é o senhor da razão. E nunca o foi tanto como agora.

Há poucos dias – está bem, semanas – era, ainda, verão. Calor intenso e suor, em resumo. Vieram as chuvas que ninguém pediu. Quem comanda as chuvas? Com as águas e o descalabro que causaram, veio esse outono invernal. Esperei passar as chuvas e as matérias da televisão para sentir a coisa estranha que é ver vir o frio de repente. Que vai passar também, rapidamente.

Não é que o inverno não suceda o verão, mas é que no meio tinha outra estação. Confesso que não sei mais o que é outono – que era bom por si. Hoje, no entanto, não posso reclamar. Aqui, onde me encontro, está um belo dia de outono, um fresco frio e um sol quentinho. Quando a estação muda de repente, o humor da pele em choque demora se acostumar.

Pensando bem, o melhor que pode acontecer é isso mesmo: estranhamento da pele e dos ossos. Porque se não, pode ser pior: água pelas canelas e até o meio da geladeira; cinzas brancas, pretas, vis, que prendem a pessoas em destinos que elas escolheram, mas que não escolheriam por tempo indeterminado; tremores que fazem valer o ditado: um dia a casa cai; ondas que se alteram quando se queriam mansas; ondas silenciosamente caladas que ensejam um monstro que ameaça vir. As autoridades, atarantadas, encontram na natureza hostil suas melhores desculpas.

São os problemas dos radares, dos sensores, da polícia, dos políticos, dos governos, das indústrias, da moda, até. A moda agora é o guarda-chuva. E botas grossas. E casacos toscos na onda “pauvese” – pasmei com essa palavra ao vê-la impressa no maior jornal do país! O mundo está pobre, empobrece diante dos nossos olhos. Palacetes viram escombros. Ricos senhores congestionados no tráfego terrestre europeu. Pobres senhoras também. Ricos pagam mais, mas não se livram dos males, embora fiquem com os menores.

Enfim, parece que o tempo cumpre o seu destino. Não havia um livro, do qual todos tinham medo, que falava do fim dos tempos? Que tempos haverá? Qual será o tempo no dia do fim? As quatro estações do ano quase ao mesmo tempo, não seria novidade, já que, volta e meia, um dia encena esse espetáculo.

Espetacular, seria! Tenho medo que, às vezes, tanta tecnologia nos tenha chegado para melhor assistir a decadência pelos olhos da tv, pelo choque do twitter. Tão alheia, tão alheia, mas tão alheia decadência, que chega a ser impossível ficar de fora. Arremato com non sense, porque talvez seja o que resta. Como diz, de vez em quando, um cronista de revista que escreve sobre tv: me inclui fora dessa. Aliás, Coca-Cola é isso aí. Não era?

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Sobre Marcia Savino

Oi, seja bem vindo/a e passeie por esta literatura de rápida leitura! Indique para os amigos e... volte sempre!
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