À escrever, claro

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Porque parei e porque voltei. A escrever, claro. Sempre se culpa o tempo pelas impossibilidades, é clássico. Eu, infelizmente, não fujo à regra. Em algum momento, no início, determinei-me que escreveria crônicas e não posts aleatórios de pensamentos em qualquer tamanho. Isso teria sido fácil e ando pensando se não seria melhor postar aleatoriedades do que nada. Ainda não estou convencida.

A regularidade de postagem é algo difícil e eu me julgava preparada. Preparada para crônicas alinhavadas com êxito e costuradas na rotina dos dias. Estava. Estava preparada, mas peguei um atalho de um projeto incrível que talvez me levasse ao pódio da sobrevivência resolvida – com trabalho, claro. Um projeto lindo que me ocupou a mente e, como projeto que era, não poderia ser compartilhado. Sumi daqui.

A desculpa é boa e tem uma generosa dose de verdade. Há outras verdades além dessa. Eu levava seis horas para escrever uma boa crônica, corrigir o texto adequadamente, encontrar uma foto interessantemente ligada ao tema, revisar especialmente crases e postar. Achava que não tinha esse tempo. Como somos malandros! Como sou malandra! Eu mesma me disse isso: levo seis horas para uma crônica! Nos mais longos textos jornalísticos gasto uma. Não tenho esse tempo, eu me disse. E assim fiquei muda.

Muda e calada. Ouvindo vozes internas de dia e de noite. Enchendo, no meu marido, os ouvidos, com frases desconexas vindas de sei lá onde de mim. Mas atrás de uma verdade há sempre chance de outras verdades serem ditas. Escrever e juntar palavras simples pode ser algo extremamente sofrido, mesmo em uma croniquinha de blog. Houve dias em que cumprir o texto me pesou mais do que as seis horas para produzi-lo e editá-lo. Eu ficava exausta e emocionalmente do avesso.

Para isso, decididamente, não tinha tempo. Não tinha tempo para ser artista, naufragar por horas nas praias de um território hipersensível aguardando o resgaste certo e provável da realidade. A ressaca do texto escrito e publicado era um ônus mais ou menos leve dependendo dos fatos da semana. Vinte e quatro horas. Vinte e quatro horas é um bom tempo para medir de quanta vida semanal precisa dispor a cronista para o seu texto.

Hoje, o tempo está aí. E eu volto aqui por vários motivos. Em cada um deles, uma dose de agradecimento aos meus quatro interessados leitores que resistiram ao fato de as crônicas terem ficado estacionadas por um ano. Há muitas coisas a serem comentadas, muitos pensamentos que dão voltas procurando a porta de saída, uma babel completa no mundo externo ao redor também. Trago comigo – sempre! – muitas palavras que se desejam umas as outras, que querem ser frases, que se querem texto e significado. Eu mesma não vivo sem me enternecer por elas.

Olhando para trás, recordo que entrei no face e no twitter somente para divulgar as crônicas. Me sentia meio ridícula no início. Parecia autopromoção e era. É o que se faz ali. Hoje acho aquilo um saco, especialmente o face. Um saco necessário. Preciso ver as besteiradas que ali se publica, tirar uma ou outra coisa útil.

Alguém me espera. Eu não sei escrever quando alguém me espera. Parece que o ponto vem antes da vírgula. Dito isto e dito tudo acima, vejo você em breve. Again.

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Sobre Marcia Savino

Oi, seja bem vindo/a e passeie por esta literatura de rápida leitura! Indique para os amigos e... volte sempre!
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5 respostas para À escrever, claro

  1. E uma pequena justificativa virou uma crônica. E das boas! Acho que o problema dos blogs é que nós mesmos somos nossos editores. Aí complica. Um abração.

  2. Martha Elisa disse:

    Continue Marcia. Adorei sua crônica. A opinião não é só de tia não, é de uma leitora que gosta do que você escreve. Beijos.

  3. lourdes pires disse:

    sempre linda e rebuscada, simples e linda.
    bjssss

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