Tem cheiro de propaganda no ar

Elas são tidas e havidas como mulheres lindas. Mas tenho minhas dúvidas. Uma, por exemplo, tem cara de pequinês; a outra é muito baixa; aquela tem uma bunda de formato duvidoso; a outra, um nariz esquisito; e assim vai. O fato é que a maquiagem lhes cai muito bem, além da beleza. Fora os ângulos das tomadas e os cabelos… Ah, os cabelos são hiper-super-mega bem domados para uso cotidiano, algo que às mortais só acontece em ocasiões especiais.

A Antonelli usa Dermacid – terá a musa questões ginecológicas? Eu diria que sim, normal que aparenta. A Dieckmann se desfaz em ares de diva no manuseio de um sabonete Francis – será que é assim que ela toma banho? A Alessandra Flávia diz em alto e bom som que se besunta com óleo Paixão. Já a Thaís Araújo toma Tang, você crê? E a Bernardes quer porque quer nos fazer acreditar que o seu frango não tem hormônio. Passou a ser seu trabalho. Neste caso, principalmente, a única obviedade é a grana preta que Fátima está levando para dizer o que diz com assertividade calculada por sílaba.

A Lemmertz preparou a Páscoa com bacalhau Walmart no dia seguinte à denúncia de um lote estragado. Tudo bem, no meio da trama a gente engole; mas não me peça que goste. Também na novela, a Do Vale Natália ganhou do marido Capri um carro novo; ou foi ele que se deu um Kia de presente e aliviou a vida dela – isso, de fato, não saquei. Para exibi-lo melhor, a Globo deixou o possante estacionado na rua a um metro da calçada na primeira tomada, mas isso é um mero detalhe de gente implicante. E como estou implicante hoje.

A mais recente novidade no meio da moda é que a Alessandra Flávia, que usa Neutrox e começou a vender Artex sem convicção, agora se veste de Leader. E, para ficar um pouco mais inverossímil, sua muda filha Giulia, também. Tatá W. e Caio Castro – que dupla, hein?! – se servem da Oi para telecomunicações. Oi? Tony Ramos e Carlos Roberto são intocáveis, não vamos falar em Friboi. Tem aquele povo todo que desfilou tomando cerveja, qual é a marca mesmo? Ih, gastaram dinheiro à toa. Sinceramente, eu deixei de acreditar nessa gente. E você, já?

Não falei ainda da Fernanda Lima e seu belo consorte, Claro. Parece que ela não está anunciando nada na TV agora – pra não competir com o anúncio de seu próprio programa? Não dá pra esquecer que a<em> sell-girl</em> assinou embaixo de uma boa quantidade de produtos desde o início do ano, tal qual Felipão que, pode-se dizer, teria potencial para vender de apartamento encalhado a passeio de camelo na baixa estação. Mas ele tem outra profissão.

Que queiram engordar o porquinho e achem graça disso, é com eles. Mas nós?! Não está fácil pra ninguém, já para o Diogo Vilela está tudo bem. A julgar pelo que diz, ele parece ter se mudado para o paraíso. E com dinheiro no bolso. Público, certamente.<em> (Sorry, Diogo, não há como não sentir o cheiro das verdinhas)</em>. As ruas perto da sua casa são limpas, o trânsito flui normalmente, as escolas têm tudo que merecem, inclusive professores e alunos integrados, prontos para um novo Brasiu – com L no final, <em>comme il faut</em>. No mundo novo do Vilela, até existe fila, mas elas têm um por quê. Filas com porquês são a última novidade em postos de saúde modernos.

Na verdade, buscando de onde me vem tamanha implicância com os anunciantes e seus convidados, percebo que a inspiração teve origem em março, por causa de uma propaganda do Lindinhoberg Farias já suspensa pelo TRE, ufa! Aquelas palavras repetidas em horário nobre me reviraram e embrulharam o estômago, tamanho acinte – verbal e político. Sacanagem pura. Engodo: “Não se pode jogar fora tudo o que foi feito; mas não se pode continuar fazendo errado”. Jogo raso de palavras pra enganar brasileiro que não teve chance de desenvolver raciocínio complexo. (Olhaí, Mosé). Só pra início de conversa, se não se pode jogar fora tudo o que foi feito, como é que está tudo errado? Ora, vá catar coquinho no asfalto e gargalhar com o Collor no Planalto; me deixe relaxar na minha tv!

De importante mesmo, só fica isto: somos todos Santiago Nazar, nossa morte anunciada também nos espera no fim. Espera, inclusive, os imortais de todos os canais que ganham os tubos pra nos hipnotizar com as suas fabricadas auras. E só para não se desdizer, lá se foi Márquez Gárcia, deixando aqui pra nós o alimento de todo dia. A boa leitura, claro!

 

Esta e outras crônicas estão publicadas também no www.brasilpost.com.br/marcia-savino

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Sobre Marcia Savino

Oi, seja bem vindo/a e passeie por esta literatura de rápida leitura! Indique para os amigos e... volte sempre!
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2 respostas para Tem cheiro de propaganda no ar

  1. Implicâncias à parte (que também tenho, principalmente se vier de montadora querendo me convencer que automóvel ainda é o meio de transporte do futuro), gostei! Mas o circo de horrores começa no dia 6 de julho, quando centenas de políticos tentarão nos convencer que a solução para os problemas do Brasil são eles mesmos… 😦 (Márcia, dá uma checada no link do BrasilPost). Um abração.

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  2. Sylene Savino Rocha disse:

    felizmente desligo o som na hora das propagandas. Bjsss.

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