As Ruas e a Pátria Educadora

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De tudo o que vi e ouvi sobre os protestos pacíficos e as reações mais ou menos abjetas, fiquei feliz mesmo com a faixa em São Paulo, onde li, numa foto: CADÊ A PÁTRIA EDUCADORA? Resumo aí a manifestação. Se a presidente da República e o Congresso Nacional respondessem com ações somente a esta pergunta, já estaria de bom tamanho. Mas como a gente sabe que de educadora a pátria de hoje pouco tem, o que fazer, a não ser reconhecer a fragilidade do slogan? Pensar.

Pensar é algo que às vezes ajuda. Pelo que sei do que dizem os livros, a educação vem pelo exemplo. Esta é uma importante maneira de educar. O que dizer do exemplo da presidente da República ao pedir clemência para um delinquente brasileiro na Indonésia e chegar a ponto de não receber o representante diplomático, porque tal país não atendeu aos seus apelos? Fato antigo, eu sei, mas superatual, de tão irresponsável. É o anti-exemplo por natureza. Fico imaginando os presos do país afora pensando: por que ela defende o prisioneiro lá na Indonésia e não eu? É claro como água. Ou como aquele bordão de um humorístico antigo da televisão: Não precisa explicar, eu só queria entender.

Para a situação ficar como está, ou seja, um verdadeiro mar de lama – e ainda tem gente que quer levar a espécie humana para além da Terra (já, já teremos o mar de lama interplanetário) – basta continuar dando o exemplo. É uma máxima irrefutável da educação. Quem já viveu mais um pouco consegue associar fatos, sem precisar de estatísticas e institutos de pesquisa, e perceber a ligação do desabrochar de escândalos de corrupção em Brasília com o aumento dos casos de violência nas páginas dos jornais. Podem chamar os matemáticos, para sacramentar a hipótese com números. E, talvez, ficar tudo por isso mesmo.

Disse Ayres Britto em 16.03.2015, numa entrevista no rádio, que a nossa Constituição não chega a blindar, mas dificulta – e muito – a prisão do chefe supremo do governo e de parlamentares. Não advogo a prisão de ninguém e o que disse o jurista não é novidade. Mas dito assim no calor dos acontecimentos pós-manifestação e com aquela voz de veludo e vago sotaque do Nordeste que remete ao Comendador Zé Alfredo Medeiros fica tudo muito mais real e mais triste. E bem mais difícil de engolir. Não é razoável, até em nome do combate à corrupção – que vem aí com o nome de “pacote” – que esses nossos representantes gozem de tantas prerrogativas legais.

Mas quem está aí para isso? Pois se até a versão da reforma política com a qual Governo e Congresso nos acenam como resposta à insatisfação democrática demonstrada domingo, a tal PEC 352, é de autoria do exemplar ex-deputado do petrolão, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e sequer acaba com o financiamento privado das campanhas políticas. Que, só para lembrar (vai que cai no Enem), são de interesse público. De pedagógico mesmo, o que temos hoje é a Operação Lava-Jato. E quem diz isso é um juiz do Maranhão, Márlon Reis, diretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e um dos artífices da Lei da Ficha Limpa. Pensando bem, o nome desse juiz deveria cair na prova.

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Sobre Marcia Savino

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