Quanta ignorância, Batman!

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Sempre que me sinto com os ouvidos entupidos pela ignorância no mundo, o raciocínio leva a mesma conclusão: se o povo fosse educado, não teríamos essa quantidade absurda de coisas para afligir a nossa vida. Acho que ocorre da mesma maneira com diversas pessoas sensatas que, embora não apareçam por aí com a mesma distinção de certas outras mais aparentadas com o mal, também habitam este planeta: a rendição ao pensamento de que Educação é a chave.

Os governos, que via de regra propagam que farão tudo e não conseguem fazer quase nada, deveriam focar em uma coisa só: cuidar da educação. O resto vem a reboque. Mas, não. Oxalá fosse óbvio para os governantes e aí haveria investimento, o que é, de fato, determinante. A vantagem da escolha dessa palavra – investimento, é que ela pode significar qualquer coisa. E qualquer coisa investida na direção e forma corretas pode significar muita coisa.

Dos problemas que seriam resolvidos priorizando a verdadeira educação do povo brasileiro, nomeio alguns. Redução do cheiro de mijo em lugares públicos em eventos de massa, tipo o carnaval, por exemplo. Por conseguinte, redução do uso do tempo de servidores públicos na tarefa de limpar o mijo dos brasileiros em grandes eventos. Por conseguinte, redução do gasto com produtos de limpeza e vassouras ou com o que quer que se limpe esse tipo de – com o perdão da palavra – cagada. E, por conseguinte ainda, outras boas consequências em cascata.

Fazendo o mesmo exercício em outra direção, lembremos que a educação molda o caráter. Uma geração de brasileiros educados em princípios éticos claros e retidão moral seria um poderoso adstringente para diversos males da sociedade. Não consigo pensar em nada mais benéfico. Nem mais barato. Exceto, talvez, a formação de exércitos de jardineiros, porque neste caso seria uma forma de educar e cultivar o amor em estado puro – algo extremamente raro, especialmente nas metrópoles. Mas não coloquemos os carros na frente dos bois; vamos devagar com o raciocínio, em nome do entendimento.

Seguindo na mesma linha, dificilmente teríamos tal proliferação de renans calheiros disfarçados de cordeiros, como se vê. Os matemáticos bem podem estudar uma projeção e nos dar os números: que quantidade de políticos honestos – de direita, de esquerda, de centro ou do cacete a quatro – o país poderia colher proporcionalmente ao investimento inteligente e generoso, diga-se, feito em educação durante… 10 anos? Basta uma geração, no país inteiro. Do alto da minha assombrosa ignorância, aposto que o retorno é alto, como convém a uma aplicação feita com sabedoria.

Causa-me espanto a necessidade do país – e os vultosos gastos envolvidos, bem como a proliferação de armários lotados de cabides de empregos – de educar o microempresário. O governo pega adultos porcamente alfabetizados e começa a ensinar o beabá da administração. Faz pesquisas para provar que o brasileiro é empreendedor, mas não ensina na escola. Dã. Já fiquei sem dormir pensando na economia que seria ensinar aos brasileiros desde cedo essa ferramenta básica para a vida adulta.

Felizmente há algum tempo recuperei minhas noites de sono reparador e, como não vivo sem elas, sempre que possível abro mão de sofrer com as mazelas do país. Nunca, porém, consigo esquecê-las: minha educação jesuíta não permite. Mas já que a realidade sozinha não se explica nem convence, adicionar um pouco de nonsense deve ajudar a iluminar o grotesco. Dizer o quê? Santa ignorância, Batman! Ou, melhor: Quanta ignorância, Batman!

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Sobre Marcia Savino

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